Pesquisas, debates, estratégias: a disputa em Pernambuco a uma semana da eleição
Votação para deputado estadual simulada em urna eletrônica Reprodução/TV Globo Os pernambucanos estão a exatamente uma semana de irem às urnas e definire...
Votação para deputado estadual simulada em urna eletrônica Reprodução/TV Globo Os pernambucanos estão a exatamente uma semana de irem às urnas e definirem o futuro do estado pelos próximos quatro anos. O g1 reúne as pesquisas de intenção de voto, os fatos decisivos dos últimos momentos da campanha e as perspectivas para o resultado do 1º turno no próximo dia 4. O apelo para a emoção e atos para mostrar força devem dominar semana decisiva (veja mais no texto abaixo). A cientista política Priscila Lapa avalia que a última semana vai jogar diretamente com as emoções do eleitorado. "Espera-se uma campanha com emotivo, procurando captar as emoções dos eleitores, sejam elas positivas ou negativas. A ideia é elevar o tom para buscar esse engajamento, confirmando as posições de quem já fez suas escolhas e captando aqueles que ainda estão indecisos", diz. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Na disputa pelo governo de Pernambuco, as pesquisas mostram acirramento entre a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Desde 16 de agosto, início oficial da campanha, distância entre os candidatos nas pesquisas de intenção de voto ficou menor (confira nos gráficos abaixo). Agora no g1 A Quaest fez três pesquisas no período. Na primeira, a vantagem da governadora sobre o ex-prefeito era de oito pontos percentuais, o que deixava a candidata na liderança acima da margem de erro, que é de três pontos para mais ou para menos. Ela tinha 44% e ele, 36%. Já no último levantamento do instituto, divulgado na quarta-feira (23), a distância entre Raquel Lyra e João Campos caiu para dois pontos percentuais, deixando os dois candidatos empatados tecnicamente na margem de erro — Raquel Lyra tem 41% e João Campos, 39% (veja gráfico abaixo). Quaest em Pernambuco: intenção de voto para governador no 1º turno Arte/g1 No Datafolha, a distância também diminuiu, mas em menor grau. O instituto também realizou três pesquisas de intenção de voto desde o começo oficial da campanha. Na primeira, em agosto, a candidata à reeleição tinha sete pontos percentuais de vantagem, com índice de 47% a 40%. Agora, a distância está em quatro pontos, com ela com 48% e o ex-prefeito do Recife, com 44%. Assim como na Quaest, os dois candidatos estão, agora, empatados tecnicamente, já que a margem de erro é de três pontos Pesquisa Datafolha para o governo de Pernambuco (1º turno) de 24/09/2026 Arte/g1 Poucas chances de 2º turno Para a cientista política Priscila Lapa, a disputa acirrada entre as duas candidaturas favoritas deve permanecer até o último momento. "Para o governo, temos até o final uma disputa extremamente equilibrada, sem derretimento de nenhum candidato, e nem ascensão meteórica. Parece que a eleição se decidirá nos detalhes", diz. A professora acredita em grandes chances da disputa pelo governo de Pernambuco já ser definida no 1º turno. "Para o segundo turno ser viável, teria que haver movimentação mais expressiva do eleitor de um candidato em direção ao outro, visto que as 'terceiras vias' não reúnem um percentual de voto que impeça um dos candidatos já se consagrar majoritário no próximo domingo", afirmou. Ela avalia, contudo, que fatos novos ainda podem mexer com o resultado, como a polêmica recente envolvendo uma declaração da governadora e candidata à reeleição. No dia 20 de setembro, um vídeo da governadora, gravado em maio de 2025, ganhou as redes sociais e impactou a campanha da candidata. Nas imagens, Raquel Lyra aparece sugerindo que seja feita uma laqueadura "sem ela saber", ao falar sobre uma mulher grávida que já era mãe de sete filhos. A gestora pediu desculpas publicamente e o caso passou a ser explorado pela campanha de João Campos, que pôs o vídeo no guia eleitoral na televisão. A cientista política acredita que a polêmica entrou no centro do debate e foi captada pelas pesquisas eleitorais. "A Quaest mostrou a oscilação das intenções de voto entre as mulheres, o público diretamente impactado pela fala", diz. Contudo, ela afirma que o tema é complexo. "Para além da pauta dos direitos da mulher sobre o seu corpo e suas escolhas, muitos ainda acreditam que, se tratando de uma mulher pobre, vulnerável, o Estado poderia tomar a decisão por ela. As pessoas podem até não manifestar esse pensamento de forma clara, mas ele é latente, como um resquício de uma visão de não reconhecimento pleno dos direitos da mulher. Talvez por isso o impacto não tenha sido tão significativo e não tenha alterado, de forma expressiva, o rumo da disputa", disse. LEIA TAMBÉM: Locais de votação mudam em 90 cidades; saiba se sua seção foi alterada Datafolha em PE: 33% não sabem número de seu candidato a governador Eleições em PE são marcadas por tradições familiares, viradas e tragédias Guia eleitoral, últimas pesquisas e debates Os dois últimos programas do guia eleitoral serão exibidos na segunda-feira (28) e na quarta-feira (30), dias da semana em que a propaganda eleitoral é reservada para a eleição estadual (governador, senador e deputado estadual). Na terça (29) e na quinta (1º) vão ao ar os últimos programas dos candidatos a presidente e a deputado federal. Conforme a legislação, o a campanha eleitoral do 1º turno no rádio e na TV se encerra no dia 1º de outubro, mas os candidatos ainda podem fazer atos de rua até a véspera da votação, no dia 3. O 1º turno acontece em todo o Brasil no dia 4 de outubro, de 8h às 17h, no horário de Brasília. Para a última semana da campanha serão realizadas pelo menos mais duas pesquisas dos institutos Quaest e Datafolha, ambas encomendadas pela TV Globo. A pesquisa Quaest deve ser divulgada na terça-feira (29) e a Datafolha, na quinta-feira (1º). Além dos levantamentos, os últimos debates televisivos devem ampliar a visibilidade da reta final do pleito. A TV Globo promove, às 22h15 da terça-feira, debate com Ivan Moraes (PSOL), João Campos e Raquel Lyra, candidatos de partidos com representação no Congresso Nacional. Durante a campanha, foram realizados três debates eleitorais. Os dois primeiros foram promovidos por rádio e exibidos em parceria com outros veículos de comunicação. No dia 11 de setembro, a Rádio Cidade FM reuniu Ivan Moraes, João Campos e Raquel Lyra em Caruaru, no Agreste. O encontro teve troca de acusações de 'fura-fila' e 'fura-teto' e promessas para melhorar abastecimento, saúde e segurança. No dia 17 de setembro, os três candidatos voltaram a se encontrar na cidade, em debate promovido em conjunto pela Rádio Cultura de Caruaru, TV Nova Nordeste e Diario de Pernambuco. O segundo debate teve troca de acusações de 'gabinetes do ódio', relações com bets e denúncia sobre empresa de ônibus. O mais recente, e primeiro feito no Recife, aconteceu no dia 21 de setembro, na TV Guararapes. O embate entre os três candidatos teve críticas à fala sobre laqueadura e acusações de 'supersalário' e redução de impostos para bets. Além dos debates, os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas participaram de sabatinas ao vivo, promovidas pelo NE1. Em 14 de setembro, João Campos prometeu construir hospitais, ampliar abastecimento e se defendeu sobre polêmica em concurso. No dia 15, foi a vez de Raquel Lyra que prometeu abrir 100 mil vagas em ensino técnico, concluir 250 creches e falou sobre opção por salário de procuradora. Corrida pelo Senado A disputa pelas duas cadeiras de Pernambuco no Senado também chega em seu momento decisivo. Ao contrário da eleição para governador e presidente, a eleição para senador é obrigatoriamente decidida no 1º turno, por ser para cargo do legislativo, assim como a deputado estadual e federal. Assim, os dois candidatos mais votados conquistam as cadeiras na Câmara Alta. As últimas pesquisas Quaest e Datafolha apontam a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) na liderança, seguida de perto pelo senador e candidato à reeleição Humberto Costa (PT) e pelos deputados federais Mendonça Filho (PL) e Eduardo da Fonte (PP). A cientista política Priscila Lapa avalia que a disputa pelo Senado tem um grau de imprevisibilidade mais elevado do que a corrida pelo comando do estado. "Temos um quadro estável, em que o efeito 'campanha' não pareceu importar tanto. Porém, as motivações do voto para o Senado ainda não são totalmente claras, de modo que o eleitor pode fazer essa escolha imediatamente antes de se dirigir à urna, sobretudo para o segundo voto, o que pode trazer elementos de surpresa para o quadro apreendido pelas pesquisas de opinião", afirma. O g1 promoveu um debate com os candidatos ao Senado em Pernambuco no começo de setembro, com a participação dos candidatos com representação partidária no Congresso: Eduardo da Fonte, Humberto Costa, Marília Arraes, Mendonça Filho, Paulo Rubem Santiago (Rede) e Túlio Gadelha (PSD). Entre os temas discutidos pelos candidatos estiveram medidas contra feminicídios, regras para emendas e relação entre governo, Congresso e STF. Eleições No dia 4 de outubro, os eleitores vão às urnas para escolherem candidatos a cinco cargos, sendo que são duas para o Senado. Veja abaixo a ordem da votação na urna, de acordo com o TSE. Deputado(a) federal (4 números) Deputado(a) estadual (5 números) Senador(a) 1ª vaga (3 números) Senador(a) 2ª vaga (3 números) Governador (a) (2 números) Presidente (2 números) VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias